segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Basta um pouco de sol e é primavera

As paredes da minha casa têm  70 centímetros de largura. A sala, no verão, é "refrigerada" - é aqui que me sinto bem, longe do sol que entra pela janela. 
Há mais de meio século, neste local, existia uma porta que dava acesso à oficina  de carpinteiro do avô Pereira; agora, a porta de entrada da casa fica no outro extremo da  sala, que ficou enorme depois das obras, já lá vai um bom par de anos...
Quando chega o frio, altero a disposição dos moveis  e coloco o meu sofá virado para a abençoada janela por entra o sol, como agora. 
- Basta um pouco de sol e é primavera.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O segredo do "negócio dos passarinhos"

A sabedoria do povo faz progredir adágios “virais” enquanto o “diabo esfrega um olho”…
É certo e sabido que o “silêncio é de ouro”, “quem anda à chuva, molha-se” - e podia continuar sem limite nas palavras, ao sabor da imaginação. Sim, imaginação - somos todos “imaginativos”, “idiotas” (pessoas com ideias, nada de pejorativo…), “treinadores de bancada”, etc e tal…
Sendo  “o segredo  a alma do negócio”, o melhor é não contar a ninguém que recebemos herança abastada de uma “tia que nunca vimos” (quando for o caso, é bom de ver…).
Ontem aprendi outra, que vai dar ao mesmo, ao segredo como alma do negócio:
- “Não se pode mostrar o ninho, se não ficamos sem os passarinhos”!
Por mim, vou dar asas ao sorriso quando me calhar em sorte o euromilhões! Quero o “ninho” só meu, muito meu!
E os passarinhos, idem!
Pois…

domingo, 27 de novembro de 2016

Nônô, a "princesa"


Foi o domingo espécie de dia  familiar. O nosso Benjamim Kiko, integrado na equipa do Lousanense, veio jogar à capital do (meu) concelho,  e a família não podia deixar  de o apoiar. A mana Nônô teve outros afazeres na Academia de Bailado, chegou mais tarde, por isso não viu o "golaço" que o Kiko marcou de livre direto - um "tiro" certeiro, e o guarda redes nem viu a bola passar!
Depois do almoço, um passeio pela vila. 
Junto a uma montra estava uma bicicleta linda de ver, enfeitada com flores; à "pintura" faltava um elemento importante - e a Nônô logo ali, ao jeito de um ou dois cliques...
"Perfeito", disse eu - e disse bem, não disse?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"Terroristas" silenciosos



Foi dia de apanhar a azeitona da “quinta”, que é enorme para os cuidados que lhe dou, quando dou - quer dizer, dou, claro, mas pago a quem o faça por mim…
Vieram os dois compadres e ajudantes, a faina ia de “vento em popa”,  e a seguir ao  “mata bicho”, saí para cumprimentar o “ti” Abílio, o seu compadre, mais  conhecido por Vedor, e os restantes jovens trabalhadores. Pelas minhas contas, as oliveiras não davam grande maquia, mas os compadres, em coro, disseram que ainda tinham qualquer coisinha e que valia a pena o esforço de estender as maranhas, varejar as árvores, ensacar os frutos e, para não deixar para depois, limpar as oliveiras – para o ano é que vão carregar, diz o compadre Vedor. Se ele o diz, acredito…
De regresso a casa, com um clique leio o “Público” e passo os olhos pelas primeiras páginas dos outros jornais, como sempre faço todas as manhãs...
Quando olhei para o relógio, era quase meio-dia, horas de preparar o almoço - qual almoço? Não tinha nada à mão, e descongelar o que quer que fosse dava para tarde…
Solução: uma omelete de fiambre, pronto, “já está”!
Cuidadoso com a frigideira, mais uma voltinha à omelete, e outra, e outra - ei-la no prato, direitinha, fofa, à espera da salada… e dos meus dentes!
Entretanto, tocam à campainha…
Abri a porta - era a esposa do “ti” Abílio com um saco de dióspiros, dos de roer, os meus preferidos. Obrigadinho, disse eu, depois de lhe perguntar como ia de saúde, vou indo, sr Carlos, vou indo. Como sei que gosta, trago-lhe aqui meia dúzia de dióspiros, à tarde trago mais. Oh, não se incomode, mas agradeço. Os do ano passado eram bem bons, acrescentei - e eram! Não leve a mal, mas estou a tratar do almoço, os gatos ainda me vão à omelete…Vá, vá, precisa de ajuda? Não, obrigado, já está pronta - então, até logo…
- Abri a porta da cozinha ainda a tempo de ver os dois “terroristas” banquetearem-se com o  meu almoço…


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

... A "dois passos" de mim

A igreja de São Pedro, em Lourosa, com 1100 anos,

" (...) é uma das mais antigas de Portugal e é a «única igreja moçárabe em Portugal».
O espaço, caracterizado pela quase total ausência de imagens e pinturas, tem arcadas de pedra e a pia batismal original ainda se pode ver. No interior os arcos em ferradura recordam que os árabes dominaram a região entre o século XVIII e XI. Uma inscrição numa pedra remete para o ano 912. No exterior as sepulturas nas rochas também chamam a atenção".

domingo, 13 de novembro de 2016

É simples ser simples

Anda por aqui um homem a espalhar simpatia no olhar,

nos sorrisos,
nos gestos
- nos gestos das palavras.
As palavras, as palavras ditas por ele,
depois de feitas,
construidas,
letra a letra,
até parecem fáceis de articular.
É simples ser simples,
mesmo quando ele,
o Bispo de Coimbra,
cita os Evangelhos...
Anda por aqui um homem que fala de amor
- principalmente de AMOR.